- Maldição !
Será num dia de Primavera, dia em que as árvores florirem,
que me pedirás meu amor, que os meus olhos se abram.
Queres ver no seu reflexo quanto brilham os teus, quando se mirarem nos meus ?!
No dia aprazado, a primavera chegou com o Sol e com o teu pedido
As flores abriram-se coloridas elevando o seu cálice ao céu
As árvores vestiram-se de folhas verdes de tons multicolores
No ar, havia uma harmonia músico-angelical sibilada pelo canto da passarada
Nesse dia os meus olhos choraram um amor não encontrado !
Para que me pediste que os meus olhos se abrissem,
se o Sol só a ti te beijou, só a ti aqueceu, só a ti iluminou ?!
Para que me pediste que os meus olhos se abrissem,
se as Flores só para ti olharam, só para ti sorriram,
só para ti em belos ramos de pétalas se transformaram ?!
Para que me pediste que os meus olhos se abrissem,
se as Árvores só para ti se enfeitaram, se as suas copas só para ti deram sombra,
e só a ti te beijaram ?!
Então, para que me pediste que os meus olhos se abrissem ?!
Para chorarem a mágoa de não te encontrarem, de não se verem nos teus,
ou só para sentirem o inquietante desejo de te quererem,
e não te terem ?!
Tu,
Fugiste-me …
O mundo
Ignorou-me …
Eu,
Abandonei-me ...
Maldição!
Será num dia de Primavera quando as árvores florirem, que fenecerei !
Magá Figueiredo

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