sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

RADIAÇÃO

Que solidão senti
Quando cara a cara te encontrei
Naquela sala enorme arrefeci
Com aquela máquina gigantesca me assustei

Movimentava-se sonoramente
E disparava radiação
Por cima da mama decepada
Mesmo à frente do coração

Numa posição desconfortável
Isolada com portas de chumbo
Fiquei como que acorrentada
Refugiada no meu pequeno mundo

Pensando ali deitada
Confrontei-me com a situação
Na sala grande e gelada
Onde apanhava a radiação

Foi impossível não pensar
No que me está a acontecer
Foi possível te enfrentar
E te jurar vencer

No silêncio bruscamente interrompido
Pelo som que a máquina despoletava
Repetia para mim mesma
Que brutalmente a radiação
Para sempre te castrava…

In "A VIDA DE PERNAS PARA O AR" (Falar de cancro em poesia)...
RADIAÇÃO

Que solidão senti
Quando cara a cara te encontrei
Naquela sala enorme arrefeci 
Com aquela máquina gigantesca me assustei

Movimentava-se sonoramente
E disparava radiação
Por cima da mama decepada 
Mesmo à frente do coração

Numa posição desconfortável
Isolada com portas de chumbo
Fiquei como que acorrentada
Refugiada no meu pequeno mundo

Pensando ali deitada 
Confrontei-me com a situação
Na sala grande e gelada
Onde apanhava a radiação

Foi impossível não pensar 
No que me está a acontecer
Foi possível te enfrentar
E te jurar vencer

No silêncio bruscamente interrompido
Pelo som que a máquina despoletava
Repetia para mim mesma
Que brutalmente a radiação 
Para sempre te castrava…

In "A VIDA DE PERNAS PARA O AR" (Falar de cancro em poesia)...

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