sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

NAS HORAS EM QUE MORRO.

Meu cavalo em guerra volta pra casa ao fim da labuta,

depois de travar lutas e lutas a guerrear,
chego ao merecido repouso do guerreiro.
deito minha espada sobre o silêncio solitário leito,
terço entre os dedos rosário de lágrimas...
e sobre minha fonte escorre o suor do cansaço a derreter a madrugada.

Meu corpo feliz calvário de desejos adormecidos
que sobre o leito tira as vestes que caem ao chão,
olho meu corpo nu a pedir carinho, compaixão.
Herói escarnecido de vísceras expostas, reino solitário de bosta,
verdade e mentiras malditas e ditas com frieza,
deixadas só ao vento no frio da saudade mórbida,
a beijar me o rosto nas horas em que morro .

WASHINGTON ARRAES.

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