segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PER CIVITATEM
(JBMI)

Há um sol puído e estranho
na manhã que hoje me atormenta.
Acordei em uma nudez adormecida
muito mais baça e frágil
do que a que me surpreendeu
quando vim ao mundo.
A boçalidade que me contamina
talvez tivesse entrado pela janela
ou ficado coada no cálice da véspera
e dado à luz (tonta como mariposas
com luzes de artifício e enganos),
qual senhora de vestes longas
e pudor de reposteiro esquecido...

Visto-me de fragâncias bravas
que a cidade desveladamente guarda
(só para si e que eu furto)
certo que o atavio resgatará formas
e a mente retornará ao choro primordial.

Porto, 22 de Novembro de 2012

José Brites Marques Inácio

(Imagem web/Google)
PER CIVITATEM
 (JBMI)
 
Há um sol puído e estranho
 na manhã que hoje me atormenta.
 Acordei em uma nudez adormecida
 muito mais baça e frágil 
do que a que me surpreendeu
 quando vim ao mundo.
 A boçalidade que me contamina
 talvez tivesse entrado pela janela
 ou ficado coada no cálice da véspera
 e dado à luz (tonta como mariposas
 com luzes de artifício e enganos),
 qual senhora de vestes longas 
e pudor de reposteiro esquecido...
 
Visto-me de fragâncias bravas
 que a cidade desveladamente guarda
 (só para si e que eu furto)
 certo que o atavio resgatará formas
 e a mente retornará ao choro primordial.
 
Porto, 22 de Novembro de 2012
 
José Brites Marques Inácio 

(Imagem web/Google)

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