segunda-feira, 1 de outubro de 2012


PERMITO-ME

Permito-me o tempo,
que ignora as horas,
que me apressa os passos,
faz a vida escorregar entre meus dedos
sem regras, nem compasso.

Permito-me abrir a janela,
sair, mudar de mão
na contra mão e dar meia volta.
Acender a luz,
passar a porta
e assim chegar.

Permito-me fazer passar as horas,
segurar o tempo,
deslizar meus dedos
entre o teu pensamento
e tuas pernas mornas.

Permito-me por fim,
fechar a luz,
apagar o mundo,
entrar no teu tempo
e me esquecer das horas.

WASHINGTON ARRAES

POEMAS DE WASHINGTON ARRAES.

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